As Mulés Raquel, 29 anos. Ana, 29 anos. Sara, "esquece isso de idade, pô!" Todas as obras acima são de Gustav Klimt
O passado (negro?)
Escrevemos também
Absorta Já escreveram aqui e nos abandonaram
Kinha Mulés amigas Povos e Povas
Tangerine Man Para inteligencer Necessaire
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Pseudo-Cronista
Nanda
Babi
Joka
Ice Man
Renato
Casulo
Bruno
Nelson
Lux
Rachel
Karla Dani
Cabral
Sub-Desenvolvido
Trombadinha
Cabaret
Jú
Da série "O passado é negro?" Há um ano neste blog.
Eu te odeio quando me dizes em silêncio do teu desamor.
Odeio o cheiro que me acompanha depois das noites de solidão a dois.
Eu te odeio pelo que não sentes, pelo que não arde, pelas faltas e ausências.
Odeio seu signo, sua marca, sua história.
Eu te odeio pelas mulheres de antes, pelas que virão, pelas que continuam presentes.
Odeio suas certezas à meu respeito, seu sorriso de dono.
Eu te odeio por não ter batido a porta do carro, por não ter perdido o controle.
Odeio seus horários, seu sono, seu nariz perfeito.
Eu te odeio pelo meu desejo, pela menstruação que chegou.
Eu odeio sua respiração quente no meu pescoço enquanto me consumo.
Eu te odeio pela minha insônia, pela minha dor, por todos os nãos.
Eu odeio seus freios, sua sobriedade, sua juventude.
Eu te odeio pelos anos que não vivesses e te separam do que sei.
Eu odeio quando não me queres, quando me intimidas, quando me fazes adolescer.
Eu te odeio por não me amares.
Eu odeio o meu quase amor.
Raquel
Gente nova. Blog muito bom. Valeu, Rilson, pintar por aqui!
E aproveitando o post, tenho que falar de Aniele. amiga que me salvou a vida muuuuuuuiiiiiiiiitas vezes.
Gente do bem e do bom da vida.
Vive dizendo que não escrevo sobre ela, que me acompanha em muitttttaaaaassss farras homéricas.
Oí, tá vendo, falei de tú, pô!
Falando nela, foi esta pessoa que presenciou a cena abaixo.
Uma mulher, já lá pelos cinquenta anos, distinta, passa na roleta do ônibus, e entrega ao cobrador um passe estudantil. O cobrador abusado, pede a senhora a carteira de estudante. Ela com muita classe, tira a tal carteirinha da bolsa e mostra ao dito-cujo, que resmunga: "Desta idade ainda estudando!"
Ela muito finamente responde: "Todos na minha casa estudam. Menos o cachorro. Ele quer ser cobrador quando crescer"
Raquel
Bom, eu mesma gostei muitíssimo da nova cara do blog. E vocês, o que acham?
Raquel
Mulheres (Conversa com minha mãe)
E aí a gente sofre e rí e chora e acha que vale a pena e quer morrer.
Então a gente pari. A gente quer que o mundo pare, que nossos filhos não crescam. Que não precisemos amadurecer.
Depois a gente rugas, a gente medo, a gente luta. A gente vence, filha, a gente vence.
Mas confiança é fogo. Apaga. Mulher com mulher tem raiva, tem grito, tem nojo, tem coisa feia de ciúme.
Mas tem também lembrança de brincadeira de boneca quando criança e sorrisos partilhados e confiança queima novamente no coração.
Mulher é bicho, é razão Atena deusa. É tanta coisa e às vezes tão pouquinho.
Pensa em sexo o tempo todo. Penso mais nisso não. Carrega o mundo entre as pernas.
Mulher é foda.
Raquel
Acreditei que ao levantar tua mão estaria no meu quadril, ou tocando levemente minhas coxas. Quem sabe brincarias com a vergonha que me acompanha enrolada no lençol quando vou apanhar o primeiro cigarro do dia.
Acreditei que a mentira era uma espécie de brincadeira, que mentir afinal de contas é necessário certas vezes.
Senti tua falta, grande amor do meu passado.
Acreditei que tudo poderia ter sido diferente. Estaríamos juntos até hoje, sabes?
Era só eu não ter acordado cedo demais.
Sonhei contigo?
Raquel
Sara
Sara é mulher quase bruxa. De cabelos galegos de Campina Grande balançando na nova praia que mora. É mulher em que a razão se esconde em segredos passados.
É mulher de arabescos e colares de pedras. De brincos grandes e de riso contido.
Quando Sara veste azul parece que lembra assim qualquer coisa de vegetal, embora não verde.
Talvez trigo, leve na aparência. Mas que é sustento.
Dourada.
Raquel
Puxa galera! Hoje fiz uma viagem no tempo, relendo os velhos posters das muleres... e para variar andei em circulo e pior inverso... simplesmente estou apaixonada pelo carinha que a exatamente um ano atrás estava na minha e hoje ele é quem esta dando as cartas, por enquanto, espero. Quando lembro que ele me olhava com desejo e admiração... tudinho registrado no mulé....Dá um leve desespero.
Depois de um curto silêncio ele ressurgiu das cinzas domingo passado, e eu disse NÃO! E melhor não me arrependi, estou muito a fim dele mas não estou a fim de ficar a disposição...
OBS: lembrem-se que posso mudar de idéia a qualquer momento...
Talvez esteja no momento pós curtição de São João, foi ótimo, diferente de todos os anteriores. Com direito a gatinho de Fortal que liga no outro dia e te manda um monte de emails no celular.
É talvez enlouqueça ainda esta semana e corra atrás da figurinha. Mas por enquanto vou reler com mais calma o meu passado e quem sabe reverter novamente a situação.
Sarita
Joaquim
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha
genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de
visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu
escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas
camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O
amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus
sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha
altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus
cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas,
minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas
ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais,
meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de
poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em
verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se
juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso:
pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete.
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus
utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que
parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a
água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de
propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que,
ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde
irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta,
cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O
amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que
riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de
gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre
passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de
automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água
morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues
crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das
plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados
pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro
de maresia. Comeu até essas coisas de que eu
desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas
folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu
relógio, os anos que as linhas de minha mão
asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro
grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da
terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha
noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça, meu medo da morte.
As falas do personagem Joaquim foram extraídas da
poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João
Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova
Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.
Mãe,
Hoje eu redescobri tanta coisa. Só de você me pegar pelo braço e me cobrir com o endredon, até que meu coração ficasse quentinho como meus pés.
Eu tive, muito medo, minha flor, naquela epoca, em que doente, fiquei dias sem saber quem era a figura amorosa sempre ao meu lado. Tive medo de não lembrar nunca mais. Porque eu pressentia que tinha muita coisa linda em tanto cuidado, boas lembranças para um vida toda. Você me trouxe de volta, hoje eu sei. Não permitiu que eu morresse.
Mas a volta, depois daquela doença triste, foi longa e díficil. Você me estendeu o fio até a saída que era o labirinto dentro de mim. Este fio, Mãe, tem nome. Chama-se ética.
Outras vezes foi por você chamado de coragem na vida.
Você me presenteou com tantas boas coisas, mas esta nunca terei palavras para agradecer. Ter aprendido desde cedo que respeito ao outro é essencial. A nós mesmos também. E pode existir maior ato de coragem do que acreditar, não é mesmo?
Você sabe que eu quase esqueci algumas vezes. Lembrar-me as vezes não é fácil e vejo-a vez ou outra andando em círculos preocupados, gesticulando. Enorme em sua baixa estatura.
A mulher que eu quero ser quando crescer.
Porque por mais que eu negue, sorrio sabiamente quando me vejo repetindo algum pequeno gesto seu. E lembro de você,colares mil, corrigindo provas e mais provas, mas sempre parando para tocar violão até que eu dormisse.
Lembro tanta coisa linda, Mãe. Mas hoje lembrei a maior de todas quando você olhou para mim e disse: - Você vai conseguir.
E repetiu com todas as letras o nome do corpo estranho e assustador que quase me mata. E espalhou pela sala todos aqueles exames.
- Lembre sempre.Você vai conseguir.Agora pode chorar...
Raquel
Pois bem, reconheci uma descrição a meu respeito num blog qualquer.
A respeito de uma situação.
Falava de nojo e doeu feito um tapa na cara. Falava de bebidas pedidas às sete da manhã. Sim, fui eu, menina limpa e delicada, que te deixou com tanto nojo.
E eu tão preocupada com códigos morais, que escrevi sobre isso madrugadas inteiras.Que rezei e rezei para que fosse mais fácil desistir do que é errado por causa da máxima: "O que eu não quero para mim..."
Fui eu, menina amorosa e dedicada, que numa noite específica, sem saber, te deixei com nojo.
Mas juro, você conseguiu que hoje eu é que sentisse ânsias de vômito.
Raquel
Pessoas, fiz uma grande merda. Peço paciência e calma, que juro, vou concertar tudinho. Se vocês notaram, este blog passa por mudanças um pouco... digamos... intensas...
Assumo, metida que sou, querendo saber tudo de html, quase perco os arquivos do mulé. Tive que escolher ou template antigo sem passado ou passado sem template.
Ó Céus, o que fazer?
Então pois é, voltei a escrever. Numa situação, como diz minha amiga Lalá um tanto "piriquitante". Puta que pariu, é isso que dá ficar sem dormir!!!
Raquel
Possíveis entregas, amores não tão possíveis...
Deliciosa imagem de Egon Scheille...
Sarita
Vontade de ficar quieta, deixar o tempo passar, ficar em casa vendo um bom filme, vontade de não ter de guerrear...até você chegar e perguntar o que se passa no meu coração...quero grandes acontecimentos...quero grandes amores... mas talvez...talvez... quem sabe?
Sarita
Medo de pensar, medo de lembrar, medo de querer... então me ponho a trabalhar...trabalhar....
Sarita
Pessoas, provavelmente vou desconfigurar essa porra, mas assim como prometido segue a foto da minha delicada tatuagem nas costas com um animado "Hasta la Vista, baby!" E hoje faz um deslumbrante dia de sol!!!
Eu sei, o biquini marcou as costas... Pois é...
Raquel
MANIFESTO FEMININO
O mundo seria um lugar melhor se os homens só adquirissem o direito de ter
pau depois de entender todas as possibilidades eróticas da língua e dos
dedos. Antes de mais nada: essa não é uma crítica ao falo. De forma alguma.
Ele é útil, a gente usa e gosta. Bastante...
É realmente envaidecedor vê-lo reagindo aos nossos estímulos e se
transformando de tímido e assustado em suntuoso e implacável.
Aliás, só uma coisa dá mais tesão numa mulher do que causar tesão: - ser
excitada.
E aqui entram a língua e os dedos. Literalmente. Esqueça o magnânimo priapo
por uns instantes. Acredite se quiser, mas não somos uma seqüência de
buracos expostos ao seu bel-prazer (eles também servem ao nosso). E é
exatamente assim, bonecas infláveis, que nos sentimos quando não somos
devidamente investigadas, quando tratadas feito pizza fria: comida às
pressas.
Temos pele, cabelos, pernas, braços, virilha, uma série infindável de
territórios pouquíssimo explorados pela maioria dos machos e, vou te
contar, é uma delícia sentir a mão de um homem passando por nossas coxas,
ultrapassando a barreira do elástico do sutiã, puxando de leve o cabelo
perto do pescoço.
Os dedos percorrendo a pele fininha do nosso seio, a língua tocando a
orelha - mais do que o carinho em si, esses gestos traduzem a dedicação, o
envolvimento com nosso corpo.
E é aí que nos sentimos vistas, exploradas, únicas. E então nos invade a
vontade incontrolável de virarmos a mais competente das devassas,
utilizarmos sabiamente sua ereção e fazê-los (e a nós também, claro) gozar
feito loucos. O melhor círculo vicioso do universo.
Depois de vislumbrar a miríade de possibilidades que o encontro de dois
corpos (inteiros) nos reserva, beira o impossível compreender qual o
raciocínio tortuoso que leva um homem a resumir o sexo ao bate-estaca.
Não tiro o mérito da penetração porque, serei justa, é um momento crucial
na transa. Se sexo fosse cardápio, meu pedido seria o combo número 1:
língua+ dedos + falo. A ausência de qualquer um dos itens causa a mesma
sensação de ir ao Mc Donald's e não pedir refrigerante e batata frita:
parece que nem estivemos lá.
Ser penetrada é crucial, gostoso, íntimo, invasor, impactante. Mas, se isso
fosse suficiente pra satisfazer as mulheres, vocês teriam, há milênios,
sido substituídos pelos pepinos.
MULHER QUE SE VIRE: Eles estão pouco se importando com o orgasmo feminino.
Se somos assim tão independentes, a gente que se resolva? Se gostamos tanto
de dedo e língua, por que não viramos lésbicas? Ora, ora, que imaturo dizer
essas besteiras.
Amigo, se você transa com a única intenção de botar pra dentro, sugiro que
desista dessa coisa chata, repetitiva e reclamona chamada mulher e
entregue-se sem culpa ao reino vegetal: bananeiras e mamão morno são ótimas
opções: macios, molhadinhos, não conversam depois de transar, não pedem pra
ficar abraçados, nem questionam seus sentimentos por eles. Fácil e
econômico.
A verdade é uma só: homem que não curte preliminares não gosta de mulher,
gosta de buraco. Sendo assim, que tal um tórrido momento a dois com uma
estonteante mesa de sinuca?
...E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
Isso é de Naty, eu sei. Foi escrito para ela (risos), mas peguei emprestado só um pouquinho.
Hoje andando pelas ruas desse bairro, andando muito e depressa, sem olhar para os lados (só pra dentro de mim), me lembrei assim, de Vínicius. Dessa delicadeza de primeiro amor de Vínicius (mesmo sendo um galinha). E talvez, naquele banho de mar que eu tomei, algum sargaço esperto roçou na minha pele e nos meus ouvidos um segredo.
- Sempre é a primeira vez. Sempre.
Ou talvez tenha sido Lya Luft que me disse em algum livro bacana. Sempre teremos algo que desconhecemos em nós e vamos ofertar ao amor que chega. Some-se ao aprendizado com todos os amores que você teve. Então é sim, como nunca foi antes. Cheio de clichês e lugares-comuns. Para os outros. Para nós, imbecilizados que estamos pela surpresa do encantamento, cada momento é especial, cada olhar quer dizer tudo, as horas passadas juntos parecem poucas sempre, todas as músicas contém mensagens subliminares.
Mas de repente alguma rabujice do coração diz basta. E o final começa como um sopro de ir embora. E um dia vai de vez sem você saber como.
A culpa é de quem, afinal de contas? A pessoa é errada? O momento é errado? Ninguém vai poder dizer. As coisas podem e devem ser simples.
Muitas vezes não consegui calar ou me ausentar. Deveria. Mas eu sou condescendente comigo mesma. Me perdôo por todas as merdas e continuo o meu caminho.
O momento de dizer certas coisas passou. Tenho escrito muito por esses dias. Agora preciso de silêncio e ausência. Preciso entender que essa é a MINHA rotina, a MINHA rua, a praia na frente da MINHA casa. Que quem invade todos os dias a MINHA vida é ele quando vem aqui. E se o faz, é porque deixei. Porque eu quiz. Porque o convidei.
E afinal de contas, eu posso não estar tão preparada como pensava para me expor tão cruamente.
Preciso entender esse vazio de raiva, de mágoa, de alegria, de tristeza, de sofrimento, depois de tantos sentimentos brigando dentro de mim. Preciso entender como nada dói e no entanto, como relutei em decidir-me a dizer não de vez, sem joguinhos emocionais (que continuo considerando uma grandissíssima bosta!). Preciso entender que afinal de contas, posso estar me tornado mais adulta e responsável. Preciso entender que maturidade não precisa necessariamente significar chatice.
Então peço desculpas a todos, mas vou passar uns tempos sem aparecer. O bar está com coisas demais para colocar em ordem, eu estou tentando me adaptar à minha nova rotina, enfim, coisas demais acontecendo e pouco tempo.
Escrevo este longo post para que vocês não achem que fui abduzida e para pedir as mulés que venham. Como sócia-remida convoco a reunião da AMEI em solo Paraibano. A falta será punida com exclusão.
Domingo agora (vocês tem quase uma semana para se organizar!), todas na minha casa, ok? Segunda volto com vocês.
Ligo hoje.
Beijos,
Raquel
P.S: E como diz o grandão: I'm back! (É isso mesmo que ele diz?)
P.P.S: A tão prometida foto da tatoo que fiz nas costas vem amanhã como presente de despedida. Como disse o amigo:" Sexo contigo deve ser muito lúdico, não?"
E agora, como diz Jú. Vou alí morrer e já volto.
Raquel
Mas em compensação hoje eu vou pro cinema. Nem que a vaca tussa e o diabo diga amém.
Raquel
Poderia. Porque agora não pode mais.
Acabou-se o que era doce.
Doce demais enjoa e engorda.
Raquel
Ontem reli meu diário de gaveta. Doeu para cacete. Só consegui dormir às cinco. Acordei com os miados récem-nascidos de Branco, o gato preto e Preto, o gato branco. Quase madrugada. Dez da madrugada, acho eu. Mau-humor que não foi embora nem com o encontro com Cabral nem com a delicadeza dos meninos da padaria.
Eu, maloqueira. Descalça, sem pentear o cabelo. Num bairro cheio de lama.
Andando com raiva, pisando as poças com raiva. Raiva. Raiva do caralho.
Ver na borra do café minha sorte. Tem borra, café de padaria?
Puta merda, eu e minha mania de glamourização do comum. Sempre. Das pessoas. Sempre.
Sara ontem lá em casa dizendo se-cuide-não-gaste-sua-energia. Eu gastando energia em longas ligações internacionais minutos depois. Ódio de mim mesma. Ódio de dar muito mais do que me pedem.
Eu estou cansada.
E pela primeira vez acredito e aceito seus conselhos,amiga. Mau sinal? Putz, foda ter que crescer e toda essa merda de ser responsável por mim mesma. Merda.
Raquel
"Eu a amo de corpo e alma. Ela é tudo para mim. E no entanto não se parece em nada com as mulheres sonhadas, aquelas criaturas ideais que eu adorava quando menino.Não corresponde a nada que eu tenha concebido na profundeza do meu ser.É uma imagem totalmente nova, algo estranho, algo que o Destino roubou de alguma esfera desconhecida para lançar no meu caminho. Olhando para ela, amando-a pedacinho por pedacinho, verifico que a sua totalidade me escapa. Meu amor se acrescenta como uma soma, mas ela, a mulher que procuro com um amor desesperado e faminto, me escapa como um elixir. É completamente minha, de uma maneira quase servil, mas eu não a possuo. Eu é que sou possuído. Sou possído por um amor que nunca antes se tinha oferecido a mim: um amor absorvente, amor total, amor até as unhas dos pés e a sujeira debaixo delas - e, no entanto, minhas mãos estão sempre procurando agarrar e segurar, aprisionando o vácuo". - Henry Miller - Sexus
Quem não quiser ser amada assim que atire a primeira pedra.
Raquel
Como diz a Rainha. Quando eu sou boa eu sou boa, mas quando eu sou má, sou melhor ainda!
Raquel
Marcílio é meu churrasqueiro. Eu odeio Marcílio.
- Pois bem, apareça lá na pousada.
- Claro, eu adoro Carapibus.
Marcílio me chama.
- Sim, você estava dizendo o que?
- Você é linda.
Cara de paisagem.
- Pois é... (clima de beijo)
Marcílio me chama.
- Vou ter que ir, Daqui a quinze dias eu volto. Vai ter reagge, não é?
- Vai sim... (clima de beijo)
Meu Deus, acho que quase me apaixono ontem. Quase. Marcílio me chamou antes.
Raquel
Saindo de casa o guri pergunta.
- Você tem um cachorro?
Como assim? Será que Jô latiu ontem? Ou eu?
- Não.
Fiquei desconfiada.
Também fiquei amiga de Alexandre. Alexandre é o cara que faz os sanduiches na padaria. Gente boa. Chegar às duas da tarde para tomar café-da-manhã não me fazia exatamente passar uma boa impressão. Resolvi tudo com um riso e piadinhas de olho inchado. E ele não cobrou os pães de queijo. Quase dou um beijo na boca dele. Mas achei que isso também não passaria uma boa impressão. Mergulhinho e visita básica ao vizinho da casa verde.
- Porra. Esqueci de oferecer açucar, caso ele precise.
E sem críticas, Sara, please. A saudade tava tanta que nem o banho de mar conseguiu levar embora.
Raquel
Frase da Semana:
A vida é um tesão. A gente é que não goza fácil.
Raquel
O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói.
Naty, roubei visse? É porque tinha tudo a ver com tudo. Ou não. Você entende.
E eu ia cair no canal ontem. Com carro, amigas e garrafa de Teacher's e gelo em cubos. Já pensou?
Raquel
Dia de explorar as vizinhanças da nova casa. Café-da-manhã na padaria (não é uma Planet Pão, Ana, mas quebra o galho!). Ver que na farmácia não tem balança (Graças à Deus!). Saber das fofocas do bairro com a mulher da varanda. Fazer comentários sórdidos sobre os homens que passam.
E meu Dia dos Encalhados foi até bonzinho. Já os casais que me aguentaram não devem poder dizer o mesmo.
Enchi o saco de Jokildo-Sócio e Nega Lú. Escutei os conselhos dela à respeito da minha vida sentimental.
Rí pra cacete.
Acabei minha noite na nova house tomando do vinho de Jô e do namorado dela, segurando vela e dando conselho à respeito da vida sentimental dos dois.
Rí pra cacete.
Mais risos quando Jô experimentou todas as minhas camisolas para escolher uma para sua noite romântica. Acabou usando a de gatinho.
- Nada mais garantido do que o estilo menina-meiga-sexy-pra-caralho para enlouquecer um homem.
E agora vou alí tomar uma banho de mar e trabalhar. Ah, eu não contei? A nova house é à dois quarteirões da praia.
Raquel
Mas não me abaterei jamais!!! Tão pensando o que???
Comprei uma escova de dentes dourada na padaria.
Coloquei vestido colorido.
Perfume.
E estou prontinha da Silva Xavier para comemorar o Dia do Correio Aéreo Nacional. Vulgo Dia dos Encalhados.
João Pessoa, tremei!!!
Raquel
Lista de necessidades para o novo lar
- Um espelho para o banheiro
- Uma geladeira
- Bujão de gás
- Panelas (puta que los pari, esqueci!)
- TV
- Cortinas
- Sofá
- Tampa de privada
- Cortina de box
- Lixeiros
- Estantes
- Guarda-Roupa
Caramba, eu tô louca. É mais fácil fazer a lista do que tem...
Raquel
E arrumei um sócio que virou também companheiro de casa. Pois é. Jokildo vai rachar o apartamento comigo e Jô, minha garçonete.
Resultado, minha casa vai virar uma filial do bar. Eita família lindja!!!
Namorada de Jokildo é minha amiga, zuzo bem. Namorado de Jô, meu amigo, óutimo. Só um probs, eu sou a única encalhada nesse triste dia. E o único colchão que chegou foi o meu.
- Nem inventem de deitar no meu ultra-mega-ninja-super-poderoso-xixôu-colchão senão mato vocês. Sumam neste triste dia e me deixem só. Eu e uma garrafa de Teacher's. E voltem amanhã com presente para mim senão deixo de falar com os dois.
Voltando a nova casa. Tão bunitinha a bichinha!!!
Claro que fiquei com a suíte, porque eu não sou obrigada!!! Como diz Scarlet, nunca mais passarei fome!!!
E claro que a comemoração começará hoje.
- Casa de cachaceiro é foda. O primeiro móvel que chega é o barzinho.
Raquel
Bom, tô quebrada. Fiz a mudança hoje.
Casa nova.
Vida nova?
E, bom... Hoje é Dia dos Namorados...
...
...
Pois é...
...
...
Poxa, acho que comecei a sentir pena de mim mesma...
Primeiro Dia dos namorados em...bem... 12 anos (caralho, tô velha!) que passo só.
...
Alguém tem um Santo Antônio para me emprestar?
Raquel
- E você é tão meiga, tão doce...
- Tá viajando?
- Não, mas também adoro esse lado sexy-selvagem-mulher-decidida.
- Bicho, tú bebeu demais, visse?
- É sério, você é a mulher perfeita. Tem muito homem cego nesse mundo. Quer casar comigo?
- Só se você disser que eu sou linda.
- Você é linda!
- E gostosa?
- Demais da conta!
- Jura?
- Juro.
- Eu me visto bem?
- Você tem um estilo único!!!
- Poxa, também te acho um cara do caralho. Acho que seria perfeito nós dois juntos.
- Então!!! vamos casar!!!
- Bicho, por acaso você esqueceu que é gay?
Raquel
E hoje eu chorei, amiga. Ao ler Auden. E saber do que você está falando. Republico aqui uma coisa postada há um ano atrás. Continua valendo, você sabe...
Querida Amiga,
Não posso imaginar o tamanho da sua dor. Mas sei que aqui, longe um bocadinho que seja das tuas lembranças, tem colchão com endredon quentinho e amiga com colo e cafuné. Tem também passarinho, plantinhas e uma vista linda do quarto da parede verde.
Tem sino-dos-ventos e rede. E eu posso cantar musguinha pra você. Posso fazer sopinha de osso-buco e macarronada. Tem também couve de horta para colocar na sopa.
Sei muito não dizer o quanto sinto. Nem sei falar o quanto me importo sem gaguejar. Mas vem para cá descansar de tanto barulho no coração.
Traz Kéures, traz uns livros, traz teu intrumento para treinar sem imcomodar vizinho, que aqui não tem.
Minha linda, meu amor, minha amiga, vem que eu tento soprar um pouquinho para ver se passa essa dor de merthiolate.
Raquel
E amanhã, comemoração no bar. Dia dos Namorados, nada. Todos avisados e à postos. Amanhã comemoraremos é o Dia dos Encalhados.
Conversando com Marivaldo.
- Pois é, figura. Você vem, não vem?
- Porra, e eu tô encalhado?
- Amigo, desculpe, mas está sim senhor. Fizemos uma listinha básica dos amigos nesta situação. E você está nela.
- Não senhora, encalhado não sai do lugar. Eu sou assim: Devagar e sempre.
Raquel
Ontem. Voltar para casa. Três da manhã. Cair numa poça. Teodoro Tertulianamente morrer. Chuva da porra. 0800-Tele-taxi. Empurrar carro pro acostamento. Entrar no táxi. Chegar em casa. Quatro da manhã. Puta-que-pariu-deixei-as-chaves-de-casa-no-carro. Pular portão. Gritar por mãe que sonambulamente abre porta. Tirar a roupa ensopada. Enrolar toalha no cabelo que não quer pegar tintura. Botar camisola de gatinho. Brincar de tendinha com o cobertor. Pensar nele antes de dormir.
- Papai-do-céu-abençoe-aqueles-que-amo-amém.
Acordar gripada.
Raquel
Hoje. Açaí, final de tarde. Praia. Medos de virar geração saúde.
Escuto alguém comentando:
- E eles formaram no céu uma coisa linda de ver.
Lembrei de tú, irmã Ana. Tá cheio de pqd aqui em João Pessoa. Devias ter vindo.
Lembrei de tanta coisa que nós todas já conversamos e rimos e lamentamos e sonhamos. Deu uma saudade doida e uma vontade de ligar... Sem créditos no celular-novo-número-desconhecido-das-mulés. Vou mandar e-mail hoje, prometi a mim mesma.
Tou com saudade de nós. Juntas.
Raquel
Não tinha comentado nada, até porque estava esperando as coisas rolarem.
Mas... tarã!!!!
Estou com as chaves na mão do novo apartamento.
( Barulho de fogos de artificio ao fundo, escutaram?)
Voltar a morar só.
Ufa!
Afe!
Feliz da vida!!!
Virando mocinha, hem, hem..
Porra, tenho que arrumar uma geladeira. Alguém para fazer uma doação?
Vou virar vizinha de rua de Sarita, já pensou?
Amanhã, faxina. Domingo ou Segunda, mudança.
Bom, não vou para Recife então (essa minha viagem vai virar lenda!) , mas agora a raça podre pode marcar uma reuninão da AMEI aqui em JP. Sim, chá de cozinha, quarto, sala e banheiro é no Domingo que vem.
Muléres, sintam-se convidadas.
Raquel
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
( o que sera - a flor da pele - Chico Buarque)
Raquel
Bom, Segunda estou chegando em Recife. Isso. Acreditem.
Raquel
Raquel, por acaso entrei no blog hj... Que coisa, tantos meses... minha vida mudou tanto! Será q ainda me cabe aqui? SAUDADES!
Nanda | 10-06-2004 15:29:46
E aí, quem é que vai fazer o convite oficial pra eu voltar a esse godócio? Aguardo senha ultra-mega-ninja e post caloroso para minha chegada. hehe
Babi | 09-06-2004 19:18:04
Pessoas, tão esperando o que? A senha continua a mesma. O post caloroso só quando vocês voltarem a escrever. E putz, saudades muitas também!!!
Raquel
P.S: A pergunta que não quer calar. Cadê Aninha???
E aí eu acho que eu rí sozinha.
Porque a única palhaça sou eu, que levo brincadeiras à sério.
Pneu furado, sem macaco e sem estepe é irresponsabilidade.
Sinal divino é a pomba que apareceu quando Ele foi batizado no Rio Jordão. (Se fosse comigo rolava uma cagada básica).
É só mudar de itinerário.
E de loucura.
Raquel
Acordei decidida a mudar minha vida. Primeiro passo, pegar uma corzinha. Tava branca, poxa!
Dez da madrugada e estou eu de biquini veinho, me sentindo gorda. Um boi, para ser mais exata. Fiquei mal por isso. Muito, muito mal. Depressão profunda. Maldita alteração hormonal. Maldita gula. Eu não presto. Vou cortar os pulsos.
É, o drama foi mais ou menos esse. Mas tinha que resistir!!! Força, mulé!!!
Entro em Teodoro e me encaminho para um lugar que (imaginei eu!) poderia queimar minhas gorduras em paz, fritá-las como bacon sob um sol escaldante. Sem encontrar ninguém conhecido para testemunhar a mistura de celulite, estria e depilação mal-feita. Pois é, esperava! Quem me resolve aparecer? Quem? Quem? O cafajeste-mór. Lindo, moreno e malhado. O filho da puta! Ainda tentei disfarçar com canga o desastre. Pensei seriamente em cavar um buraco e me enterrar, mas não deu tempo.
- Oi, e aí? Tudo bom?
- Não.
- Acordada esta hora?
Fudeu. Além de gorda, com fama de preguiçosa.
- Pois é. Tomar um solzinho...
Pelo-amor-de-Deus-suma-daqui! Já tô falando merda!
- A gente se vê.
- Tá!
Confesso, o Tá soou um tanto desesperado!
- Você tá bem mesmo?
Não, não estou.
- Claro, porque? Vá nessa, a gente se vê.
Oh, meu Deus!!! Tinha que ser no dia que eu estou me sentindo uma bosta? Ódio de Murphy!!!
Resolvo me conformar...bom, uma gorda bronzeada é melhor do que uma gorda branquela afinal de contas. Não me abaterei! Nada me deterá na busca incessante pela beleza e pela perfeição anoréxica depois do dia de hoje!!!
Será que dá para emagrecer até à noite? Paro na famacia. Me pesar. Caralho, cinco quilos em uma semana!!! Que porra é isso? Jamais voltarei a ser a mesma. Eu mereço morrer! Já que eu sou um monstro buchudo, saí da balança disposta a última cartada.
Qual? Qual?
Koleston Vermelho Profundo. A solução imediata para depressões pós-mentruação-encheção-de-saco-a-vida-não-presta--pré-balzaquianas.
E sabem de uma coisa? Já me sinto bem melhor agora.
Mulé é uma merda mesmo!
Raquel
Kinha, e tú sabe que eu te amo, tú sabe...
Raquel
E a pessoa-trombadinha me fez rir horrores. Campeonato de arroto, é? Só tú, Só tú...
Raquel
Ai paramos no Mirante. Ver a cidade toda e porra-a-gente-mora-numa-cidade-linda-né-não?
Catei flores e coloquei no cabelo.
E tô assim. Primaveril.
Raquel
A noite foi interessante ontem. Casa, Empório, casa. Conversas sobre música. Mostrar Francis Hime para Fabiano. Mostrar Piazzola para Fabiano. " Tango é um cortar os pulsos musical".
Expulsar todo mundo que eu tava com sono. Lalá ficou.
Acordamos com o celular tocando. Risos e conclusões:
" Lalá, a gente está ficando cada vez mais parecida com macho safado!"
" Mulher, pelo amor de Deus, farra todo dia é fogo. O pior é que meu trabalho não deixa de ser farra."
" Mulher, não superdimensione as coisas!!!"
Aí viemos cantando pagar conta de água do bar. " Pensa uma música, Lalá."
" ... e as gatas extraordinárias que andam no meio em que ela flui... Será que ela evolue? Será que ela evolue? e se ela evoluir, será que isso me inclue?"
" Mulé, essa música me lembra tanto nós todas juntas!"
" É porque nós somos as gatas extraordinárias, Antes gatas extraordinárias que garotas superpoderosas!"
" Jonhy Bravo nhada!!!"
Risos.
Raquel
E em toda essa história eu penso nele.
Quero tanto magoá-lo, tanto.
Quero tanto , tanto.
Nem sei mais a diferença entre o que é gostar e o que é desejar a morte dele em mim.
Entre verdade e mentira.
É orgulho ferido, deve ser. Ou então, a dificuldade.
Quem sabe, podemos ser amigos... porra, claro!!! Nós já fomos amigos uma dia.
Fomos?
Deu vontade de ligar agora, convidá-lo para ver verde e tomar cerveja.
Mas meu celular morreu junto com uma porção de coisas, o número de telefone dele foi junto.
Não ligo então.
Poxa, não posso atrapalhar a vida desse cara. Não posso. Culpa Cristã?
Porque Mamãe antes de viajar, me acordou para dizer: - Cuide-de-esquecer-que-ele-está-feliz-com-a-mulher-que-escolheu-procure você-agora-sua-felicidade?
Tem duas coisas que eu sei que acredito.
Eu acredito em sinais divinos.
E na minha mãe.
Mas sabe, bem que ele podia aparecer agora, quando eu descesse as escadas, lá na padaria.
Eu não poderia me sentir culpada.
Poderia?
Raquel
Acordei tarde. 3. Da tarde. Resolver dívidas. Puta que pariu!!! Fabiano ligando: Preciso-pegar-o-equipamento-no-bar. Lá vamos nós. Conversas sobre ego e guetos. Risos por cauda de uma certa noite: Mas-eita-menina-abusada.
Gargalhadas com novo sócio. Jokildo, pessoa do bem. Ô forção que tá dando!!!
Saudades de Ana e de Babi e de Ní. "Minhas amigas são minhas amigas para sempre, precisarem de mim, dou minha vida".
Meio-termo: "Ou me amam ou me odeiam, nunca existiu essa história de Poxa ela é simpática, mas...".
"Então eu prefiro lhe amar e que você me ame. Medos do seu ódio, pessoa"
Risos.
Aí idéia de festa. Mamis viajando, vamos nessa?
Vamos daqui a pouco. Os bons que me acompanhem.
Raquel
Não deveria se chamar amor
Paulinho Moska
O amor que eu tenho
É um afeto tão novo
Que não deveria se chamar "amor"
De tão irreconhecível, tão desconhecido,
Que não deveria se chamar "amor"
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme a que nunca assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Porque sei que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo o novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
E poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer: aventureiro
E poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo
Roubado daqui
Raquel
E tudo voltou aos seus lugares.
Tudo está no lugar certo agora.
Um exemplo?
Você dentro de mim, por exemplo.
Raquel
De ontem à noite eu lembro dele. Me esperando no bar e balançando levemente a cabeça ao escutar meus argumentos bêbados para não ficarmos juntos. Foi só tocar daquele jeito de arrepio de antes.
Olha-eu-morro-de-medo-de-voltar-a-ser-como-antes-e-tem-um-outro-cara-aí-na-area-não-você-não-conhece-quer-para-de-me-olhar-assim-porra-para-com-isso-não-se-aproveite-de-mim- que-estou-bêbada.
Aproveitamos os dois.
Raquel
Façam-me um favor de hoje por diante, queridas amigas. Se eu esquecer o que eu fiz, depois de uma grande cana, é porque realmente deve ser necessário para minha sanidade mental. Então, por favor, não me lembrem de nada no outro dia.
Só me avisem em caso de:
- Sexo com animais.
- Orgias.
- Strip em balcão de bar.
- Casamento em Las Vegas.
- Assassinatos e afins.
Atenciosamente,
Raquel
- ...Aí você beijou o cara.
- Beijei?
- E ficou puta porque ele marcou com você e não foi.
- Fiquei?
- Depois você dançou estilo tango e também dançou estilo Lesbian Chic com M.
- Dancei?
- E fumou com a gente na cozinha.
- Fumei?
Ai, meus sais...
Amnésia alccólica é punk!
Raquel
De sacanagem, posto um antigo texto de Kinha aqui. Para ela voltar a escrever mesmo sem querer. Babi, Ní, Nanda, não se animam também a voltar para casa? Sun, que tal escrever conosco? Ana, cadê tú?
Como Espantar Um Fantasma
Horas conversando dentro de um carro com uma pessoa que por 4 longos meses não foi capaz de tomar uma simples decisão. Meses sem beijar aquela boca, sem tocar àquele rosto, sem olhar aqueles olhos. Mas a pessoa teima em aparecer sempre que se sente só, para não tomar a decisão nunca.
Ele- Sabe quando iríamos dar certo?
Ela- ????
Ele- Nunca.
Ela sai do carro, bate a porta, se abaixa sensualmente deixando o decote em evidência, se apóia na janela, olha fixamente para ele com olhar profundo:
Ela- Eu te amo.
Vira de costas e dá um tchau sem olhar para trás. Entra no elevador e some.
Tá, sei que joguei baixo, mas também sei que agora ele não aparece mais, e assim, não irá mais brincar com meus sentimentos, porque eu sei a força que essa frase tem em fazer com que homens desapareçam, tanto os desejados quanto os que não te desejam. E acreditem.....funciona.
Kinha
"-Faria necrofilia se você fosse como a vingança normal...fria..."
Raquel
Fui ontem para uma vernissage. Arrastada por uma amiga, encantada que estava por um dos artistas que estava expondo.Telas interessantes, outras nem tanto. Gente esquisita, gente normalérrima, gente...
Bom, o melhor da noite foi o encontro com uma outra amiga querida. Amiga da minha epoca de exílio (leia-se casamento). Sandrinha, companheira de chá e de papos deliciosos. Dona de galeria e uma das pessoas mais simples e boas que conheço.
Papo vai, papo vem. Encontro com Guilherme (pense um cara que eu adoro!).
Lembranças da primeira exposição da galeria de Sandrinha. Da minha promessa de estudar com Guilherme, das telas e de todo o resto que retirei do Seixas para nunca mais voltar. De como artista é tudo doido, da simplicidade complicada que deve envolver o processo criativo (Sandra não existe!), fotos das novas telas dela (que eu finalmente gostei), Papo vem, papo vai.
Aí puft, tô eu novamente animadérrima para voltar a pintar . Curso com Guilherme nos Sábados à tarde, hummmmm.... maravilha. Sou medíocre, mas sou limpinha, pô!
Chego no bar, visita de gente amorosa e leal.
Arrumo um novo sócio. Alívio financeiro. Ufa!!!
Rir com história sobre circos e mongas, as mulheres macacos.
Rir com os amigos e suas paixões mal-resolvidas.
Rir por eles me responsabilizarem por terem se ferrado. "Foi você que disse para eu ir atrás e viver intensamente!!"
Provar a amiga que eu conheço um escritor de livro de auto-ajuda e rir dela pedindo ajuda ao próprio. "Eu não preciso de auto-ajuda, eu preciso de MUITA ajuda!!!"
Rir, rir, rir...
E não é que o mundo é bão, Sebastião!!!
Raquel
Então... tudo espanado, limpo, arrumadinho. Gostaram do novo visual do blog?
Raquel
Receita de uma noite feliz.
Misture:
Vestir vermelho
Ganhar de Sarita na sinuca.
Assistir encantada o show de Cabruêra.
Dançar muito no show de Cabruêra.
Encontrar o homem do jantar romântico, que você considerava chato, e descobrir que ele dança forró maravilhosamente bem.
Dançar forró no rala-rala (uia!!!)
Ver gente bonita.
Beber cerveja dos outros e sair com sua cartela de consumação limpinha.
Rir da barriga doer com as amigas.
Escutar que você a mulher da vida do homem mais lindo da noite.
Ir para casa cantando Maria Rita.
Dormir enrolada num endredon bem fofinho.
Raquel
Graças a Deus esta acalmando... esta aliviando...
Que sensação terrível... Andei estes últimos dias desgovernada-surtada-drogada-viciada-desesperada...mas esta passando...
Sobrevivi a terrível sensação que depois de aguardar por um bom tempo ele chegou desarmado, jogado, acenando um bandeirinha branca em nome da paz, que tanto desejo... e eu como sempre joguei esta oportunidade no lixo, mais uma vez sem entrega, não me entreguei novamente...
Apesar de saber que fiz o que deveria fazer (ser a Sara que desejo ser)...
Qual é a Sara que precisa ser?
Quem será esta Sara?
Depois de ligações desesperada, só escuto um silêncio absoluto e corro para o meu Divã Virtual... Que tantas vezes me salvou....
Volto a maresia...me deixo levar...
Talvez esta paixão não tenha a força necessária para sobreviver, talvez
Sarita
Ei, mais Povos e Povas aí do lado. Gente que sempre devíamos um link, gente que (eu pelo menos) sempre curto visitar. Gente que renasceu das cinzas cibernéticas. Vale uma visita!
Raquel
Há um ano neste blog ( Como o tempo passa né não?)
Eu não sei amar, meu bem. Meu negócio é paixão. Daquelas de bater o queixo, de tremer joelho, de desequilibrar.
Eu gosto é de delírio, meu lindo. De sentir tudo, de morrer de nada.
E tú, morre é de medo de ver neve em meu olhar. De ver pedra na minha mão.
Eu não sei não ser absolutamente absoluta e redundante na minha raiva, no meu desejo, na minha angústia. E tú, meu bixim, é superfície, areia de praia para catar conchinhas, lambida delicada de onda em meu calcanhar.
Eu, eu me afogo todos os dias dentro do mar que mora em mim.
Eu não estou apaixonada por você.
Mas quero vê-lo agora e amanhã e o quiz ontem, e sofro dolorido quando você não me liga.
Eu morro de ciúmes.
Eu nunca reclamo, grito silenciosamente.
Eu tenho medo, tenho dúvida, estou insegura.
E tú, quer que eu ande de scarpin e acha que saia pouco acima do joelho me cai bem.
Eu tenho absoluta confiança em mim mesma. Eu posso, faço e aconteço.
E comprei um batom vermeho para escrever no teu espelho minhas qualidades.
E, se quiser me conhecer, é assim que me mostro.
Eu minto, invento, aumento e diminuo.
Depois pode ter rede, pode ter dengo, pode ter certeza.
Cansada, serei eu.
Raquel
Vontade de jambo-anão-cor-de-rosa lá do pé de Tio Meco. Vontade de Filet à Milanesa de Tia Cacai. E de bolinho de feijão com farinha amassado por minha vó lá no Prado. De balanço na mangueira e de livro de conto de fada. De cosquinhas no pé de minha mãe.
Vontade de me fragiligizar.
Maldita alteração hormonal!!!
Raquel
Amiga: - Quando você quer um compromisso sério, você evita dar, entende? Acontecia comigo. Tinha vontade de dar para D., dava para E., que estava sempre à disposição, era maravilhoso mas nunca seria o homem da minha vida.
Eis que ontem morre uma lenda! Acaba-se o mito!
Raquel
Aí minha prepotência e minha raiva foram embora. E fiquei alí com um medo, com um medo. Porque as coisas podem ser simples. Porque ele ocupa tanto espaço que não precisa ser de ninguém, nem dele. E porque não costumo dar cotoveladas pedindo, ei, vai mais para lá. Preciso aprender.
Raquel
Que falem que digam que apontem que cobrem que murchem que calem que pisem que machuquem que esmaguem que riam que desprezem que ousem que tomem que cortem que julguem que sejam, eis o meu pedaço, afinal, toma pega morde sopra pinta revele beije faça fotografe alise ame, é tudo o que há em mim sem medo sem amarras sem preconceitos sem meias-verdades sem segredos sem dores sem certezas sem nada disso mas com verdade com desejos com entrega, porque o que é em parte nunca é perfeito ainda que o todo seja muito incerto, o que é que tem se sou assim e és assim e não queremos ser diferentes de uma escolha que não pertence a mais ninguém, se não somos vítimas nem algozes, mas continuamos querendo querendo querendo, dizendo sim quando é sim, não quando é não, e talvez apenas quando o risco for infinitamente maior que o prazer, o que eu não entendo mas aceito porque isso tudo é tão confuso e tão simples e é só você e eu.
Porra, Mulé, maior orgulho de te conhecer. Afe!!!
Raquel
Descoberta do Século
Puta que Pariu! É Claro!!!!!! TPM, amor, TPM.
Raquel
Um dos personagens deste blog. Com vocês... Tarã!!!!!! Teodoro Tertuliano, o uno vermelho ( agora em versão banguela). E sim, eu estava estressada.
Raquel
- Mãe, não tô entendendo o que esse cara está cantando. Vê se você entende! Logo nessa parte aqui. "Teu olhar tão frio/ Teu jeito arredio/ Que que ele diz depois. É "apodrece a noite" é?
- Apodrece a noite é lasca. Deixa eu ver se entendo...
...
- Raquel, pelo amor de Deus, é uma exclamação! "Ah! Pudesse a noite!"
(Risos)
Insônia de lascar. Quatro da matina uma mãe enrolada no lençol, sonolenta, chega na sala.
- Filhota, venha dormir que a noite já está apodrecendo!
Raquel
Dois Minutos
Eu não queria dizer nada.
Apenas pegar sua mão e subi-la, do meu quadril, levemente até minha cintura. Sabe aquele vestido chinês multicolorido que eu estava usando? Você sentiria que não havia nada por baixo dele.
Isso te diria alguma coisa?
*
*
*
Eu não estou correndo atrás do tempo perdido. Estou é correndo atrás da minha verdade. Você já encontrou a sua?
*
*
*
"... Ela me disse que a dor é um lugar
onde o prazer sentou para descansar..."
- E aí, gata, estás melhorzinha?
- Tô sim. Escutando música, lendo. Desculpe o dramalhão mexicano de ontem.
- Não foi drama não.
- Foi sim, eu sei. Ninguém fica daquele jeito por causa de um história de tão pouco tempo. Se eu fiquei cinco vezes com ele foi muito!
- Eu ficaria arrasada do mesmo jeito.
- Mas você é mais doida do que eu.
(Risos)
- Vai fazer mesmo o que disse ontem?
- Vou. Mas vou mesmo!
Eu vou esquecer. Tudo. Mas principalmente a noite de Domingo. Que foi a clara indicação que não consigo (sinto muito, Sarita) "curtir apenas o momento". Que sim, eu criei expectativas tolas. Que sim, eu acreditei que momentos tão especiais não podiam esconder uma história apenas óbvia. Mas é assim. Óbvio.
Ele tem namorada. Óbvio!
Saí da loja de conveniência já chorando. Com ÓDIO!!!! Fui parar no bar e recomecei a chorar qunado dei de cara com um amigo dele. Chorei na frente do meu garçom preferido e na frente de metade da população gay da cidade.
Chorei na frente de amigos atônitos com meu surto-descontrol (Logo eu, uma dama!), chorei quando amigo Madureira passou de carro na frente do bar, quando amigo Madureira entrou no bar e quando sentou na minha mesa. Continuei chorando no colo dele embalada feito criança.
Chorei minha raiva, minha saudade, sentindo pena de mim mesma. Chorei minha imbecilidade, minha prepotência, meu stress.
Chorei porque, cacete, tenho chorado muito!
Chorei balbuiciando as clássicas frase. Eu mereço isso? Eu odeio chorar! Eu odeio me sentir assim!
Parei de chorar. Depois chorei de novo. Aí chorei mais um pouquinho.
Caí num pranto descontrolado quando escutei meus amigos dizendo. Raquel, você é uma mulher maravilhosa, linda, pare com isso!Chorei, chorei, chorei!
Até amigo Madureira dar um basta enfiando um guardanapoo no meu nariz com uma ordem. "Assoe!". Assoei. "Tenha vergonha, mulher! uma mulher deste tamanho!". Me levantou do banco. "Tenha postura!". Endireitou minha coluna. "Nariz para cima! Isso!" Levantou meu nariz. "Não deixe seu peito arriar jamais!!!" Sim, ele pegou neles. Nos meus pré-balzacos e chorosos peitos.
Segundos de silêncio espantado. Meu, dos meus amigos, do meu garçom preferido com minha terceira cerveja na mão.
Até cairmos todos numa gargalhada.
"É essa a mulher que eu amo!!!"
Eu também, Madureira, eu também...
Sim, eu vou conseguir!
*
*
*
"A paixão é uma freira descalça em vison de vedete"*
*
*
Todas as lendas são assim: Pra relembrar o que não aconteceu.
Raquel